Livro [#4 de 2016] – Bartleby, o escriturário – Herman Melville

Bartleby, o escriturário

Esse livro me trouxe coisas boas antes mesmo que eu o tivesse lido! Ele foi indicação de uma uma amiga linduxa que eu tenho ( beijo, Gabi!) e isso já seria suficiente para me fazer escolher a próxima leitura. Mas aí quando fui procurar saber a respeito do autor, descobri que Bartleby, o escrivão, foi escrito por ninguém menos que Herman Melville [ele mesmo, o autor de Moby Dick , e não, eu não li Moby Dick =P]

Pois bem. Estava eu determinada a comprar o livro quando me lembrei de que aderi ao sistema de trocas do Skoob [se quiser como funcionam as trocas por lá, olha aqui] e já tinha créditos para solicitar livros, e então troquei por este. Chegou muito rápido e em excelente estado 🙂

Então, o livro é narrado pelo chefe de Bartleby, que o contrata para trabalhar como copista. Acontece que, poucos dias depois do início do trabalho, Bartleby, embora bastante competente, começa a  se recusar a fazer uma coisa ou outra, sob a alegação de que “prefere não fazer” até que ele deixa de fazer absolutamente qualquer coisa que lhe seja designada.

A situação é tão absurda e eu fiquei impressionada comigo mesma, apelando para a aparente racionalidade do chefe, como se fosse inócuo tentar qualquer coisa com Bartleby. Chegou ao ponto em que o chefe demite o escrivão e ele, que estava morando no local de trabalho, se recusa a sair eu e ficava me perguntando porque o chefe simplesmente não chamava logo a polícia. Para mim foi como se a curiosidade do chefe fosse algo insensata e a preferência de Bartleby fosse algo certo, inquestionável… ou seja, uma situação muito pouco razoável.

Só que, ao mesmo tempo, parece que a curiosidade do chefe sem nome se reveste de piedade. Como se ele quisesse tanto saber a razão de Bartleby agir da forma como age para ajudá-lo, que não toma uma decisão enérgica de imediato.

Também perpassa pela discussão a questão das liberdades individuais. Lembro que uma vez, quando eu fazia terapia, minha terapeuta me perguntou assim: – Se você quiser não ir trabalhar amanhã, você pode? E eu respondi, categoricamente, que não. – Como não? Você é obrigada a ir trabalhar?  Ela indagou e eu respondi que é minha obrigação comparecer pontual e diariamente ao trabalho. E ela insistiu – Se você quiser não trabalhar nunca mais você pode? E me pareceu óbvio que não. Mas aí ela me disse – É claro que você pode, basta arcar com as consequências.

Tudo o que fazemos na vida implica em consequências e é a nossa (falta de) habilidade de lidar com elas que termina por determinar nossas escolhas e atitudes. Na minha cabeça, o maior trunfo de Bartleby é de ser livre. Ele só faz o que ele prefere, e quantas e tantas vezes não fazemos o contrário daquilo que preferimos por convenções, “obrigações”, ou até sobrevivência?

Pense quantas vezes você foi convidado(a) para um compromisso chato (e nem precisa ser nada relacionado a trabalho) e teve a liberdade de dizer “prefiro não ir” sem ter que apresentar qualquer justificativa? Eu consigo contar nos dedos de uma mão…

Bartleby na sua apatia, acaba mostrando para nós o quão é importante ansiar pela vida. Agir em razão de um querer, da vontade, e não pelos outros, por convenções sociais, pelo que se espera que façamos.

Excelente leitura 😀

Bartleby, o escrivão (Bartleby, the scrivencer)

Herman Melville

José Olympio Editora

1ª Edição – 2007

78 páginas

⭐️⭐️⭐️⭐️

FD

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